Contra o desemancipar do futuro, resistência brasileira e internacional

A falácia da modernidade com que (mal) maquia seus pretextos é nada mais do que isso, falácia. Que o golpe é a cara do conservadorismo mais servil ficou evidente na fatídica foto do governo usurpador macho, branco e fichado, ou suspeito. Depois do golpe institucional em si, é no golpe contra a CLT, a Previdência, a Educação ou a Política em geral que se evidenciam o projeto e a urgência da mobilização na resistência.

Por Moara Crivelente | Coluna no Portal Vermelho e no site da União da Juventude Socialista

O projeto passa por promover a “desemancipação” – ou esvaziamento de conteúdo político, conforme comenta Domenico Losurdo – e impedir o progresso democrático de um processo que apenas abria importantíssimas vias, ainda sem pavimentação.

Assim, tenta nos vender a falácia da sua universalidade e promover – por exemplo, através da Rede Globo, o Estadão ou a Escola Sem Partido – “os pensamentos da classe dominante”, dona tanto dos meios de produção material quanto intelectual, como apontam Marx e Engels em “A Ideologia Alemã”.

Nisso embrulham as contrarreformas neoliberais avançadas no Governo golpista de Temer, saudoso do período obscuro das privatizações dos anos 1990, com o pretexto da “crise fiscal” que a dilapidação dos recursos, direitos e futuro do povo viria resolver. Daí a denúncia de que o projeto que Temer representa, antidemocrático, derrotado nas urnas, é um ataque à Constituição de 1988 em sua ênfase de proteção à seguridade social.

Com um golpe aparentemente inovador, gestado nas altas instâncias do Legislativo e do Judiciário, as contrarreformas projetam-se através da lei, respaldadas pelos cassetetes e pelo terrorismo ou a manipulação midiática. O Projeto de Lei 6787/16 – antirreforma trabalhista – e a Proposta de Emenda à Constituição 287/2016 – da Previdência – são elementos extremamente importantes de um projeto maior. Dão um ar de formalidade imparcial ao que não passa de uma agressão objetiva e ideológica ao futuro dos brasileiros.

É um projeto reacionário que reflete uma agenda global assente na reprodução capitalista da desigualdade, garantida pelas condições ideais de exploração. Não é por acaso que os trabalhadores e trabalhadoras são o alvo principal, desde a juventude com uma educação mínima orientada para o mercado, passando pela jornada de cada vez mais horas de trabalho até a Previdência irrisória.

Daí a pertinência da resolução divulgada no início do mês pelo Comitê Central do PCdoB, que nos convoca a “desbravar saídas para o Brasil” com uma frente ampla e abre com o importante apanhado da situação mundial, apontando desafios à transição rumo ao socialismo que, no país, passa pela defesa de um desenvolvimento soberano.

São desafios à esquerda avaliados em diversos países de todos os continentes onde o conservadorismo e a extrema-direita ascendem, propalados pelo imperialismo estadunidense e em parte europeu em sua sanha pela reconfiguração geopolítica e geoestratégica do mundo. Desafios postos em parte pelo que a resolução identifica como uma “cedência ideológica”, afirmando que “o campo progressista não pode perder a bandeira da nação para as forças conservadoras” nem negligenciar a luta de classes.

Daí a urgência da mobilização massiva e contínua, como na Greve Geral convocada pelas forças que compõem a Frente Brasil Popular para 28 de abril. Também daí a força potencial da solidariedade internacionalista com que, no contexto de uma grave crise sistêmica e de ameaça de uma guerra generalizada, em todos os continentes, devemos fazer frente à ofensiva reacionária, neoliberal e imperialista.

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