Cúpula do Brics promove alternativas no sistema internacional

A presidenta Dilma Rousseff recebe os líderes dos países que compõem o grupo Brics na manhã desta terça-feira (15), em Fortaleza (CE). Os chefes de Estado e de Governo do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul reúnem-se para a 6ª Cúpula do agrupamento, com dois dias de debates sobre temas variados e a assinatura de atos que incluem a prioridade ao desenvolvimento sustentável e a consolidação do Banco Brics.

Por Moara Crivelente, de Fortaleza | Portal Vermelho

 Foto: Agência Brasil. 

Dilma e os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, da China, Xi Jinping, da África do Sul, Jacob Zuma, e o primeiro-ministro recém-eleito da Índia, Narendra Modi, reúnem-se para uma das cúpulas mais importantes no atual contexto internacional, com propostas que pretendem oferecer alternativas ao sistema internacional, sobretudo às suas facetas dominadas pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Mundial.

A expectativa é pelo anúncio de consolidação do Banco Brics de desenvolvimento, com um caixa inicial de US$ 50 bilhões (R$ 110,8 bilhões), um fundo contingencial de reserva de US$ 100 bilhões (R$ 221,7 bilhões) e uma posição equilibrada em relação aos pedidos de empréstimo dos países em desenvolvimento, que enfrentam sérias condicionalidades impostas pelo FMI para receber créditos.

O fundo contingencial de reserva faz parte do Acordo de Reservas de Contingência (CRA) assinado pelo grupo, e deve ser usado em caso de crise econômica, como alternativa aos efeitos devastadores já comprovados pelos empréstimos e os pacotes de condições que vêm anexados aos créditos do FMI.

O Brics não é uma organização ou bloco comercial, mas um “agrupamento”, conforme o termo empregado pelo Ministério das Relações Exteriores, de países que buscam convergências em suas diversidades para uma nova forma de pensar a economia, o desenvolvimento e a governança global. Os países chegaram a ser reconhecidos como o motor que manteve a economia global engrenada enquanto as grandes potências enfrentavam os piores momentos da crise instalada em 2007-2008.

Enquanto instituições avalistas como o próprio FMI e a Organização para a Cooperação Econômica e o Desenvolvimento (OCDE) reduziram o tom do otimismo sobre o Brics, devido à “desaceleração” do crescimento das diferentes economias que compõem o grupo neste contexto de crise global, os líderes desses países reconhecem os desafios que enfrentam, e o enfrentam.

Desenvolvimento e alternativas

De acordo com os últimos dados do próprio FMI, nos últimos 20 anos, a parte dos países do Brics na economia global passou de 5,3% para 21,3%, enquanto o consumo doméstico quase dobrou. Pontos centrais apontados por especialistas como Jim O’Neil, economista que esteve à frente do Goldman Sachs e sugeriu o nome ao grupo, estão o aumento exponencial da produtividade nesses países e o aumento da demanda mundial por seus produtos.

Este é exatamente um dos temas sublinhados por pessimistas para explicar o “declínio” do Brics, mas seus líderes, que continuam promovendo planos de reforma global e de alternativas para os obstáculos que reconhecem, lembram também que a inserção das suas próprias populações no consumo e a persistência do investimento estrangeiro, sobretudo em produção, representam bases de sustentação relevantes.

O programa desta terça-feira inclui debates como este e a continuidade dos diálogos pela convergência em meio à diversidade, enquanto também há expectativas por maior liderança no sentido político. Diversos temas urgem a atenção dos líderes de economias ainda reconhecidas como dinâmicas e de populações numerosas, com a perspectiva de proporcionar também a democratização das relações internacionais e a desconcentração.

O Brasil sedia esta importante página na história do Brics que, embora não tenha planos de confrontação, oferece alternativa enquanto promove a participação de atores diversos no cenário internacional, coloca em discussão temas considerados absolutos e que sustentam um sistema internacional desigual, retrógrado e deformado, e prioriza as relações de “cooperação sul-sul” com o mundo em desenvolvimento.

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