OTAN: Aliança militar completa 65 anos de ameaças

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) completa 65 anos nesta sexta-feira (4). A aliança militar foi criada no contexto da Guerra Fria, mas sua manutenção pelo imperialismo se dá através de reformulações “estratégicas” que expandem a sua atuação no mundo e generalizam o seu papel de forma quase infinita. Em declaração ao Vermelho, Socorro Gomes, presidenta do Conselho Mundial da Paz, disse que a Otan é “um instrumento de agressão e dominação dos povos, a maior ameaça à paz no mundo”.

Por Moara Crivelente | No site do Cebrapaz e no Portal Vermelho

Na reformulação constante do seu papel militarista e belicoso no mundo, a Otan lança o “Novo Conceito Estratégico”, em 1999 e 2010.


Na reformulação constante do seu papel militarista e belicoso no mundo, a Otan lança o “Novo Conceito Estratégico”, em 1999 e 2010. Foto: Otan / Divulgação


Lançada em 4 de abril de 1949, a partir da assinatura do Tratado do Atlântico Norte entre os EUA e seus aliados europeus, a Otan empenhou-se pela expansão para o Leste europeu após a dissolução da União Soviética, que apresentava como a sua inimiga a ser contida – o motivo da sua existência, durante a Guerra Fria.

Entretanto, com a mudança de cenário, ao invés de dissolvida, uma vez que representa mais riscos e ameaças do que a segurança, a aliança é ressuscitada sistematicamente pelo imperialismo.

“A Otan tem uma folha de crimes enorme contra a humanidade e a paz; os eventos criminosos são concretos: a guerra contra os Bálcãs, a Líbia e as suas tentativas, como na Síria, onde foram mais maliciosos e optaram pelo envio de mercenários estrangeiros para fazer o seu trabalho,” disse Socorro Gomes, que também é presidenta do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz).

Na reformulação constante do seu papel militarista e belicoso no mundo, a Otan lança o “Novo Conceito Estratégico”, em 1999 e 2010, onde a expansão generalizada das suas interpretações do que representa “ameaça à segurança” dos Estados membros é proposital.

Os “novos conceitos resumem-se na expansão do leque, em torná-lo infinito para a intervenção no mundo inteiro, contra os governos que não se submetem aos ditames da Europa e dos Estados Unidos,” enfatiza Socorro.

“Ameaçam-nos para impor seus modelos, como é o caso na Ucrânia.” Em março, a presidenta do Conselho Mundial da Paz (CMP) e do Cebrapaz discursou na Conferência Internacional “Paz Global vs. Intervencionismo e Imperialismo Global”, em Belgrado, na Sérvia, por ocasião dos 15 anos dos ataques aéreos da Otan contra a antiga Iugoslávia.

No evento, organizado pelo Fórum de Belgrado por um Mundo de Iguais, mais de 500 indivíduos e representantes de entidades de luta pela paz de todo o mundo denunciaram a agressão criminosa e a impunidade dos que tomaram parte, rechaçando a existência da Otan e exigindo a sua dissolução.

Neste sentido, o Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC) – cuja presidenta, Ilda Figueiredo, também coordenadora regional do CMP para a Europa, discursou na conferência em Belgrado – participa na organização de um ato público, nesta sexta (4), em Lisboa, pela dissolução da Otan, com o mote “Pela Paz! Não à Otan!”.

Portugal faz parte da aliança, mas a expressão contrária a ela é significativa. Durante a Cimeira da Otan em Lisboa, em 2010, cerca de 30 mil pessoas e mais de 100 organizações foram às ruas contra a aliança e, em 2001, centenas reagiram às denúncias de uso de urânio empobrecido nos ataques à antiga Iugoslávia, nos Bálcãs.

                                                                                             Foto: Avante!

Os movimentos mundiais pela paz enxergam na Otan a militarização das relações internacionais – seus membros são responsáveis por 75% dos gastos militares totais, de ligação estreita e direta ao chamado complexo industrial-militar, com a influência das grandes corporações do setor nas decisões de governo sobre a guerra.

São consequências disso o aumento da insegurança e da ameaça aos povos, através do aprofundamento do intervencionismo como princípio – em 1999, a campanha de 78 dias de ataques aéreos contra a antiga Iugoslávia, em que cerca de metade das quatro mil vítimas era de civis, foi denominada uma “guerra humanitária” – e a imposição de modelos de governo e econômicos que condigam com a agenda das grandes potências.

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