Israel: Política interna definirá novamente a vida dos palestinos

O primeiro-ministro de Israel Benjamin Netanyahu, reeleito em janeiro, teve dificuldades para formar um novo governo, e chegou a pedir uma extensão do seu prazo, concedida pelo presidente Shimon Peres. No passado sábado (16), porém, o anúncio foi feito, mas ainda há questões fundamentais em ponderação.

Por Moara Crivelente | No Portal Vermelho

A coalizão formada de antemão entre o partido de Netanyahu, o Likud (sionista e direitista), e o ultranacionalista e direitista Yisrael Beiteinu (com um “revisionismo do sionismo”), liderado pelo controverso Avigdor Lieberman, não salvou o primeiro-ministro dos esforços para conseguir mais apoio, lutando com os números de um parlamento (Knesset) de 120 assentos, dos quais a coalizão conseguiu apenas 20.

Depois de negociações sofridas, entretanto, Netanyahu conseguiu incluir na coalizão os partidos nacionalista-ortodoxos (em contraposição aos ultra-ortodoxos), e centristas Yesh Atid (cujo líder, Yair Lapid, será o ministro das Finanças) e o direitista “Lar Judeu”, liderado por Naftali Bennett. Anteriormente, Netanyahu já tinha sugerido que ambos dificultavam propositalmente a formação do governo, e até chegou a chamá-los de antissemitas.

Netanuyahu precisava formar um governo para que a sua eleição fosse validada. Além disso, também espera a visita do presidente dos EUA, Barack Obama, para esta semana, quando convém ter uma estrutura institucional mais ou menos estabelecida, ou que “a casa esteja arrumada”.

Para isso, conseguiu também a inclusão do partido Hatnuah, da antiga ministra de Relações Exteriores, Tzipi Livni, que será a ministra da Justiça, e que pediu a gestão das “negociações de paz” com os palestinos.

Entretanto, a coalizão pode ver-se problematizada com a exclusão, pela primeira vez em 29 anos, dos partidos ultra-ortodoxos, que foram os aliados “naturais” dos governos liderados pelo Likud, desde sua primeira gestão, na década de 1970.

Alguns impactos para os palestinos

O Shas e o Judaísmo Unido da Torá tiveram uma tradição bem assentada na política israelense e, nomeadamente, nos ministérios de Habitação e de Interior, com influência direta não só na organização da vida e da imigração judia para Israel, mas também, e consequentemente, na vida e na expropriação das terras palestinas.

A exclusão dos ultra-ortodoxos foi uma insistência do partido Yesh Atid, até o último momento das negociações. Em resposta controversa, o Shas declarou não ter problemas em votar contra o financiamento dos assentamentos e pela reabertura do processo de paz com os palestinos, temas sensíveis para o Likud e para o Yesh Atid.

Por outro lado, além do ministério das Finanças, o Yesh Atid também terá outras pastas, em troca do apoio de 19 MKs (membros do Knesset) ao governo de Netanyahu.

Já o partido “Lar Judeu” concedeu seu apoio (com 12 MKs) em troca de ministérios como o Comércio e Economia e o de Habitação, para além dos assuntos de pensões.

À espera da solução do caso de Lieberman, acusado de fraude e quebra de confiança, Netanyahu gerirá o ministério de Relações Exteriores temporariamente.

Além disso, seu partido, Likud, também estará no ministério da Defesa e do Interior, mais uma vez influindo direta e estruturalmente em questões como as leis de “segurança” e de gestão interna que afetam os palestinos, para não falar do “processo de paz”, que continua sem previsões.

Tzipi Livni, ainda antes do anúncio de um novo governo, já havia dito, na semana passada, que talvez fosse necessário pensar em um “plano de paz” alternativo, “caso a solução de dois Estados com os palestinos comprove-se impossível.”

Depois de 20 anos do início do processo de Oslo, a encarregada do processo de paz simplesmente colocou em palavras as evidências que a política israelense (de assentamentos, invasões, expropriações, detenções arbitrárias, perseguição e opressão contra os palestinos) já vinha oferecendo: é como se o objetivo, na verdade, fosse realmente tornar impossível a solução de dois Estados.

Tzipi formulou a afirmação ao contrário. De qualquer forma, um dos Estados já existe oficialmente, e é o que se coloca como menos preocupado com uma solução.

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